A reforma tributária não é um problema de 2033 — ela já está no seu dia a dia
É comum ouvir que a reforma tributária "só vale pra frente". Na prática, o novo modelo já começou a operar. 2026 é o ano de transição: os dois novos tributos do IVA dual — a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal, que substitui PIS e COFINS) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual e municipal, que substitui ICMS e ISS) — já precisam aparecer segregados nos documentos fiscais, com os novos grupos e campos exigidos pelas notas técnicas.
Ou seja: a obrigatoriedade não é uma data futura para se preparar com calma — ela já está batendo na emissão de NF-e e NFC-e da sua operação. Sistema que não emite o documento no novo layout trava faturamento. E é aqui que os três temas se encontram.
Por que release, configurador tributário e CBS/IBS são um projeto só
Existe uma cadeia de dependência que muita empresa só percebe quando o cronograma aperta:
- CBS e IBS dependem do novo configurador tributário. O cálculo dos novos tributos e a emissão dos documentos no layout da reforma são feitos pelo configurador — não dá para "dar um jeito" nas amarrações fiscais antigas.
- O configurador tributário depende da release atual. Os recursos da reforma são entregues nas versões novas do sistema. Ficar numa release antiga é ficar sem as ferramentas que a lei passou a exigir.
- A release atual depende de você sair da que expirou. A 12.1.2410 encerrou o ciclo de suporte em 30/06. A partir daí, sem correções nem novas notas técnicas — justamente as que trazem os ajustes da reforma. O caminho é subir para a 12.1.2510.
Tratar isso como três iniciativas soltas — "primeiro a release, depois o configurador, depois a reforma" — é o que estica o prazo e multiplica o retrabalho. Planejado como um único projeto, cada etapa habilita a seguinte, e os testes acontecem uma vez só.
O risco de continuar na release 12.1.2410
Uma release fora do ciclo de suporte não é apenas "uma versão um pouco mais antiga". Ela significa:
- Sem novas notas técnicas e legais. As adequações da reforma tributária chegam por atualização. Na versão expirada, elas simplesmente não vêm.
- Sem correção de erros. Qualquer problema fiscal descoberto na operação fica sem caminho oficial de solução.
- Exposição fiscal. Emitir documento no layout errado ou calcular tributo de forma incorreta gera rejeição, contingência e risco de autuação.
- Distância crescente. Quanto mais tempo parado na versão antiga, maior o salto da atualização depois — e mais caro o projeto.
O novo configurador tributário: o que muda
O configurador tributário centraliza, em um único lugar, as regras de como cada operação é tributada. No modelo antigo, essa lógica ficava espalhada em exceções fiscais, tabelas de "De/Para" e customizações acumuladas ao longo dos anos — cada uma um ponto de manutenção e de risco.
A reforma é a oportunidade (e o empurrão) para consolidar isso. O novo configurador foi desenhado para o modelo IVA dual — CBS e IBS convivendo, durante a transição, com os tributos que estão sendo substituídos. Bem parametrizado, ele reduz customização, facilita a manutenção das regras e prepara a operação para as próximas fases da reforma sem novo projeto a cada ano.
Como fazer a transição sem parar a operação
Faturamento não pode parar — e é por isso que esse tipo de projeto se faz em ambiente controlado, não direto na produção. O roteiro que funciona:
- Ambiente de homologação primeiro. Uma cópia do ambiente real para atualizar, parametrizar e testar sem tocar na operação do dia a dia.
- Atualização de release como base. Subir para a 12.1.2510 é o alicerce; sobre ela entram o configurador e os recursos da reforma.
- Parametrização do configurador tributário. Traduzir as regras fiscais da empresa para o novo modelo, revisando as exceções e customizações que talvez não sejam mais necessárias.
- Testes de emissão com CBS/IBS. Emitir documentos de teste em todos os cenários da operação e validar cálculo e layout antes do go-live.
- Validação com a contabilidade. Alinhar os resultados com a área fiscal e a assessoria contábil — a regra tributária é definida por eles; o ERP a executa.
- Go-live acompanhado. Virada com suporte próximo nos primeiros fechamentos, quando aparecem os cenários que nenhum teste cobre 100%.
O que fazer agora
Se a sua empresa ainda está na 12.1.2410 (ou anterior) e não iniciou a adequação à reforma, a prioridade é montar o cronograma único que junta os três temas — porque o relógio fiscal já está correndo e a janela para fazer isso com calma diminui a cada fechamento. Quanto antes o projeto começa, mais espaço para testar e menos chance de virar correria no faturamento.
As datas, alíquotas e regras da reforma tributária evoluem conforme a regulamentação; confirme sempre os detalhes fiscais com a sua assessoria contábil. Este conteúdo trata do impacto no ERP e no planejamento do projeto.